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quarta-feira, agosto 26, 2020

 "SOMNIUM"

Crescer é foda né.

Hoje eu ouvi sobre um sonho. Eu também tive sonhos, tenho sonhos. Alguns realizei; outros guardei numa caixinha de "para depois"; Muitos, coloquei nos arquivos dos inalcançáveis assim que entendi como a vida funciona, mas guardo com carinho porque sonhar é sempre bom.

Há mais ou menos quinze anos atrás, me lembro ter uma epifania sobre a importância de "observar e aprender". 

Não só de ouvir mais e falar menos, mas de observar e pensar a fundo sobre as pessoas, e antecipar consequências; Sem querer, bolei uma puta estratégia inteligente!

Vejam, aprendi o seguinte, de forma pétrea:

Do meu avô ter decidido estudar, em ser minucioso e sempre se planejar, por ter corrido um único risco que gerou consequências  que mudaram toda uma vida, de tudo o que deixou de viver e de tudo o que viveu. Comer o pão que o diabo amassou, sobrevivido e colhido alegrias.

Dos meus pais eu vi a escolha de muito cedo se tornarem pais, e tudo do que abdicaram. Comer o pão que o diabo amassou, sobrevivido e colhido alegrias.

De uma irmã, ter estudado, se formado, e tido um filho mais cedo. Comer o pão que o diabo amassou, sobrevivido e colhido alegrias. 

De outra, não ter se formado, ter vestido a cara e coragem, trabalhado, visto o mundo. Comer o pão que o diabo amassou, sobrevivido e colhido alegrias.

Da minha tia, estudado muito, tentado com empenho, esperado com emoção. Comido o pão que o diabo amassou, sobrevivido e colhido alegrias.

Dos meus amigos, já adolescente, inúmeras situações, possibilidades que queria pra mim e não poderia ter, outras que tive mas nunca quis, companheiros que preferi manter, amizades que decidi afastar. 

Aprendizados em decepções e conquistas que muitas vezes me quebraram por dentro; por eles, em sofrer e participar por amor de cada uma dessas fases, e por mim, em escolher abdicar de algo por não querer passar por algo similar, ou em persistir por um sonho similar, mas encontrando uma forma de NÃO traçar o mesmo caminho se pudesse evitar.

Eu aprendi a observar pra sempre prevenir e não ter de remediar. Lógico, não é uma fórmula infalível, mas ajuda muito!

Decidi, e continuo decidindo tudo aquilo que quero pra vida: Quais sonhos eu preferi priorizar, quais resolvi abrir mãos e quais talvez ainda queira encaixar no futuro.

Faz só 5 anos que comecei minha vida independente (financeiramente) de fato... Dá pra acreditar?! Só 5 anos! Não é nada!

Viajar? Prioridade absoluta, com certeza.

Melhor investimento que podemos fazer, bem material investido se perde com o tempo ou se abdica com a velhice. 

Comprar tudo aquilo que SEMPRE tive vontade? Certamente! Mas sempre comedido, afinal, no futuro é muito provável que nada mais disso tenha valor sequer pra mim.

Tem muito tempo pra comprar as coisas, não preciso me endividar e, além do mais, já tenho tudo o que preciso. Se não "tiver" até o fim da vida não tem problema, só troco o sonho de lugar no "arquivo" e deixo pra lá.

Construir um carro com meu pai? Putz, ouvi essa a vida inteira que era um sonho dele, e não me esqueci! 

Mas fazem só 5 anos que comecei a viver sem ter de pedir nada a ninguém e a MINHA prioridade é ver o mundo. Sei que temos tempo de escolher juntos um projeto... De investirmos juntos nisso, né? Afinal, SONHO, não pode ser atropelado, senão, perde o valor e o sentido.

E se não der certo? Bom, tivemos outros tantos bons momentos e experiências, porque só este "sonho" p-r-e-c-i-s-a-v-a ser alcançado? 

Quem sabe um dia ainda possamos tirar uma foto juntos na Disney nos abraçando e sorrindo? É um sonho pra mim, desde 2014.

Filhos? Abdicamos de comum acordo, com certeza. 

Já entendo que por uma série de fatores pessoais, não tenho a estrutura emocional pra ser pai e estou muito bem assim. Neste aspecto acho que "quebrei" demais e nem um "kintsukuroi" resolve.

A frustração em lidar com o sofrimento, em gerenciar esses "sonhos", ou em observar os sofrimentos daqueles que amo e que só posso remediar, era muito mais fácil uns anos atrás, se eu precisasse chorar ou extravasar a frustração... Afinal, eu estava sozinho no quarto escuro, não precisava compartilhar isso com ninguém.

Hoje minha esposa acompanha os efeitos e com certeza os absorve, querendo me acalentar; Que bom poder contar com ela! Mas que desgastante compartilhar esses efeitos já que por um período (ainda que curto) eles me esgotam tanto!  

São efeitos inevitáveis de quem ama, não tem jeito, não dá pra diminui-los... E eu só posso agradecer por eles que me ensinam, e por ela, como companheira, em entendê-los.

Eu entendi, creio eu, o sentido da epifania.

Era pra aprender que não dá pra ensinar ninguém a se "corrigir", ou se antecipar, pensando como eu penso, então, não era pra esperar mudanças de ninguém no decorrer da vida.

Era pra aprender a ME proteger guarnecendo quem não aprendeu a fazer isso, poupando a eles (e a mim) do sofrimento das consequências, mas sempre dentro do possível, ainda que fazendo isso, pareça que as estamos machucando.

Nem sempre ao primeiro olhar uma decisão acertada parece justa, especialmente para aquele a quem recairá diretamente seus efeitos. Nem sempre quem alerta, ou tenta ajudar ou prevenir, parece que está fazendo algo certo ou justo, mas o observador distante muitas vezes têm uma visão muito mais ampla do que o agente diretamente ligado ao evento.

Afinal, concluo que a responsabilidade no círculo familiar é uma rede; é sanguínea, é por apadrinhamento, sempre por afinidade, e puramente pautada no amor.

Por mais que a gente não expresse em palavras, o legado não mente:

Que inteligente, é o amor.

domingo, agosto 31, 2014

"INCONDICIONAL"



Hoje, 30 de Agosto de 2014, minha irmã se casou aos olhos de nossas famílias.

Minha confidente, parceira, irma de alma, sangue e coração. Hoje, ela adota um novo nome, oficializa uma passagem, reconhece uma conquista! A benção da sinceridade, da compactualidade, do companheirismo e do AMOR. 

Hoje, para todos nós, minha bela e doce irmã, você se torna não só mais filha e irmã, se torna esposa, se torna uma nova mulher. Aos meus olhos ao menos, é assim. É um título importante que, nas admiráveis palavras de nosso Pai, na mais emocionante, tocante e íntima homenagem e benção aos noivos que jamais vi, eu confesso o quanto amo, admiro e me felicito com nossa família, nosso puro amor que cresce:

"Caio, quero te contar uma historia, que como todas as boas historias, começam assim:

Era uma vez um pai. E caso ainda não tenha percebido, este sou eu. Esse pai já tinha uma linda garotinha, mas um dia ele descobriu que teriam mais um lindo bebê, por isso pedi: 

"Senhor, se é a sua vontade, faça-a uma menina".

E Ele fez... Após o nascimento, depois da Regina, fui a primeira pessoa à pegá-la no colo. Olhei para ela e disse:

"Senhor faça-a como sua mãe".

E Ele a fez! Ela ficou doce e amável, mas comecei a perceber que estava em desvantagem, era ela, a mãe e a irmã, sempre juntas! Por isso eu disse: 

"Senhor, faça-a igual à mim". 

E Ele a fez! Ela cresceu e passou a adorar eletrônicos, se tornou uma excelente motorista, empreendedora e destemida! Mas ao mesmo tempo, passou a ter as suas próprias opiniões, ficou cabeça dura, assim como eu! Por isso eu disse: 

"Senhor, vamos acabar com isso. Faça-a como Você!!!"


E Ele fez. Ele lhe deu o desejo de trabalhar, ser independente e adorar as pessoas. Adquiriu a sensibilidade de cuidar do coração das pessoas que ama, curar suas tristezas e dividir suas alegrias.

Mas, algo ainda estava faltando. Por isso eu disse:


"Senhor, faça-a feliz! E Ele fez."


De repente, você Caio, que não saia de casa, que era amigão do Bruno e que sempre estava puxando um olhinho para Carol. Pronto! ela te enxergou!

Eu que conheço minha menina, vi em seu olhar algo que só tinha visto quando conheci o amor da minha vida... Caio, quero que saiba que hoje vou confiar a você uma das três melhores coisas que tenho.

E antes de fazer isso, quero que saiba o quanto a Regina, eu e Deus trabalhamos para deixá-la como é.

"Caio, você está percebendo tudo que eu estou te entregando?"

Muito bem! Oficialmente hoje vou lhe entregar a minha filha, e penso que não se importará que lhe dê mais um pequeno conselho: 

Tenha sempre muita perseverança e não deixe que nada e nem ninguém interfira neste relacionamento de amor e companheirismo que vocês construíram juntos. Não me desaponte!

Meus filhos, estamos aqui hoje para comemorar a união de vocês dois. Hoje, é um dia especial!

Vocês estão assumindo o compromisso de compartilhar a responsabilidade de um casamento, dividir seus problemas, sua casa e sua vida. Mas não acreditem que tudo que a vida oferecerá no futuro é repetir o que fizeram no passado. 

Se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro e que se não usarmos este milagre da vida hoje, ele vai se perder. Estamos em constante processo de mudança!

É preciso viver cada minuto, porque assim encontramos a saída de nossos problemas. 

E o mais importante, acreditem sempre no amor. Se estiver amando, declarem o seu amor, falem que se amam, sorriam e sejam felizes! 

Não fomos feitos para a solidão. 

Mas se um dia, vierem a sofrer por amor, é sinal que estão com a pessoa errada. Cada vez mais, devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor!).

Mas atenção: elegância, bom senso e respeito são fundamentais; O amor não é para covardes!

Quem fica sozinho a noite em casa, só terá que decidir que pizza pedir e o único risco será o de engordar. 

Por isso meus filhos, na qualidade de pai, amigo e companheiro para todas as horas, neste momento, gostaria que o Caio colocasse a aliança no dedo da Carol. Agora Carol, coloque a aliança no dedo do Caio. Este gesto simbólico, representa o compromisso de união assumido com a pessoa amada. Agora Caio, com bênçãos de seus pais, Marisa, Regina e Gilberto, pode beijar a Carol.


Espero de todo meu coração que sejam felizes, assim como eu e mamãe somos nestes 35 anos de união, dedicação e amor".

Somos aqui, todo e puramente AMOR.
Desejo, 
em consonância com as admiráveis palavras de nosso Pai, toda felicidade e sucesso à esta União.

Saúdo, Caio e Carol!

domingo, julho 17, 2011

"O SÁBIO"

"Hoje estou me focando em me divertir com a vida do que somente me preocupar em viver a vida". 


A nova filosofia de vida do meu PAI
Na verdade, vem seguida de uma mudança radical de comportamento, o vejo brincando, sorrindo, dançando, sendo muito mais carinhoso com todos nós, um pouco mais "Kinky" com a minha mãe, de bem com a vida. 
O vejo mais feliz, mais acessível e liberto.
Me emocionou em ouvi-lo dizer a frase acima porque realmente tem nos demonstrado o quanto isso tem lhe feito bem, e claro que por consequência vêm fazendo bem para todos nós, trazendo uma nova harmonia. 
Não tem como não dizer que o humor de um de nós (aqui de casa) rege todo o ambiente e o relacionamento dos outros e claro, maior peso de todos para todos é o de nosso pai.
Fico feliz que ele tenha encontrado esta nova razão, ainda mais admirado com o fato de toda a experiência que sabiamente tem demonstrado estar adquirindo todos os dias com a idade e muito aliviado em poder compartilhar destes ideais tão cedo, aplicando-os como princípio em minha própria vida, me eximindo de errar em meu futuro para aprender as lições que ele aprendeu. Me sinto bem orientado, poupado de ter de descobrir muitas destas razões tardiamente, poderoso em poder aplicá-las desde já e me tornar muito mais paciente, menos impulsivo e inconsequente. Poder planejar me tornar futuramente o homem que ele é hoje, um bom ouvinte e excelente orientador... Explico.


Imaginem que este grande homem (Minha base) e a mais linda das mulheres (Mãe - Meu apoio) se casaram com 17 anos. Ambos crianças, muito jovens, sem experiência, mas jamais despreparados. Meu pai assumiu imediatamente um casamento ao saber da gravidez de minha mãe e mantém até hoje com 32 anos de casados um relacionamento de namoradinhos, apaixonados e bobinhos mesmo.
Crescer junto aos próprios filhos, passar com duas crianças pequenas (com 2 anos de casamento) por todas as fases da juventude, da tempestiva a mais terna... Aprender exercendo serem "pai" e "mãe". Transmitir todos os dias naturalmente a importância de "amor" e "amar", de respeito, companheirismo e FAMÍLIA, principalmente os VALORES de FAMÍLIA. Claro que pode-se imaginar todas as espinhosas fases que passaram na vida, os altos e baixos financeiros e emocionais, mas jamais, por nenhum momento a estrutura familia se mostrou abalada. Nunca nenhum momento um de nós (3) filhos sentiu qualquer fardo em nossas vidas... Sempre fomos poupados.
Eu jamais vi uma discução em altas vozes ou uma briga física. Eu na verdade, ao tentar relembrar agora, nunca os vi brigando. Tudo sempre estava bem, até mesmo quando algo não estava... Porque todo esse amor, esses valores tão grandes sempre foram superiores a qualquer problema, tudo era perdoado em segundos... Tudo sempre estava bem. Somos privilegiados por isso, por todo este mundo cultivado pelos dois, carinho e DEDICAÇÃO.
Esta retrospectiva toda da realidade de vida que me foi mostrada e ensinada (da qual aprendi a amar), a filosofia do "respeito e do amor pleno" para se viver feliz, é só para explicar que vejo em meus pais aqueles eternos adolescentes que se casaram muito cedo, que cresceram junto aos seus filhos mas que tão sábios, continuam a nos ensinar todos os dias, a nos demonstrar que somos apenas aprendizes eternos da vida e de que será sempre necessário apurar nossos olhos e ouvidos para toda e qualquer situação, em busca de entender o mundo e a realidade á nossa volta. Por isso, ouvir este desabafo de um sábio homem de 52 anos é extremamente importante. É para me fazer entender desde já que é preciso me desgarar de problemas e preocupações, que não posso mudar o mundo com minha vontade ou minhas forças... Que toda pessoa e realidade tem seu próprio destino e que se meus esforços não forem suficientes para mudar o curso do que acontece á maneira com que espero, que devo me conformar com isso sem sofrer. Que talvez, a melhor saída seja ver o lado positivo, o lado "cômico" e divertido da situação, colhendo assim toda a positividade e felicidade possível até mesmo do que á primeira vista me parecer ruim.
É realmente apurar os olhos para enxergar o bom e os ouvidos para aprender um bocado.
Imaginar que posso adiantar os métodos e pensamentos deste grande homem para com meus filhos (seus netos), harmonizar nossas vidas e me lembrar desta figura tão sábia em momentos de desafio me dão um grande gás para saber que me darei bem, que serei feliz.

Até mesmo sem planejar ensinar o Poderoso Gilberto dá suas lições. Penso do que seria de mim, e quem seria eu se não o tivesse aqui presente para me dar toda essa base, para me guiar.
"Deixar somente de viver a vida e começar a se divertir com ela"

Obrigado, meu sábio Pai, meu Herói.

sábado, julho 02, 2011

"PEDALADAS"


Finalmente, depois de um longo Jejum me sinto inspirado novamente a escrever alguma passagem no blog. Acho que relaxei das preocupações, ao menos por hora.


Passando o primeiro fim de semana desta "pseudo-férias" em casa, hoje após um churrasco, durante o banho me peguei a pensar novamente sobre um dos maiores desejos que tenho, o de me tornar pai. Fiquei divagando sobre as mudanças que sofrerei com a idade, as limitações que terei quando for brincar de "competir" com meu filho, como uma pessoa tão competitiva terá certamente limites em relação ao tempo.
Me peguei imaginando o momento em que ele (a) começar a sair de bicicleta, explorar a cidade, querer a mais nova e a mais legal, como eu quis. Querer que eu como pai, participe de algumas brincadeiras, que dê voltas com ele, que esteja junto.
Me coloquei no lugar dele... Engraçado que coisas que nos parecem muito injustas no momento em que passamos, são verdadeiras e valiosas lições. Eu nunca tive a "bike" mais legal, aquelas mountain bike's cheias de apetrechos (acessórios) de manobras que ninguém usava. Meu pai não tinha tempo e ás vezes disposição de sair e pedala comigo. Ele não fez como nos filmes, em segurar o selim da bicicleta para que eu não sofresse uma queda... Ele me deu asas e o desafio de me superar. Aprender por mérito, por dedicação.
Na minha vez, acho que faria quase que tudo igual.
Talvez eu venha a me esforçar para participar algumas vezes, brincar de competir (perceber que estou velho e fora de forma), mas tentar observar, aprender e ensinar. Mas se ele quiser a "bike mais legal", que trabalhe por ela, por parte do seu valor. Que entenda desde cedo a importância de valorizar o que pode ter e se quiser melhor, que se esforce por ela. Lembro-me de nunca realmente ter sofrido pressão para trabalhar cedo, inclusive, meu pai sempre se esforçou ao máximo para que eu tivesse todo o tempo e investimento do mundo para estudar ao invés de trabalhar. Sábio.
Ele teve de começara trabalhar desde muito cedo, antes até dos 10 anos de idade... 
Meu pai É O CARA, e entende o valor do conhecimento em troca somente do esforço psico-físico dispendido com a obrigação de trabalhar. Mas eu tive oportunidades, ou, como lição a obrigação de trabalhar para restituir algum gasto absurdo que eu tivesse gerado. Hoje eu entendo que realmente deveria ter me empenhado mesmo para fazer melhor, para enceirar corretamente os carros do estacionamento do Denilton, de aprender as minucias de colocar insulfilme no vidro com o "CÚ"Caio. Até não preciso me arrepender por a lição ter sido efetiva, mas por uma questão de orgulho próprio hoje percebo que deveria ter feito melhor.
São lições, importâncias que se percebe vagarosamente com o tempo, quando amadurecemos e adquirimos o conhecimento de que nada sabemos... Temos espelhos, ícones a seguir, mesmo que inconscientemente.
Não exitaria em aplicar pisico-tapas, faria com que houvesse respeito mútuo, dignidade, humildade e heroísmo em meus atos para com meus filhos, na esperança de que os exemplos de estrutura e poder familiar que hoje tão fielmente admiro, sejam passados para a frente.


Para que algum dia, estas palavras sejam um estopim para o entendimento de que sempre haverá sobre quem me espelhar. 

E que me seja lembrança das boas lições de uma geração sábia e corajosa que sempre teve por mim os braços abertos e a mão estendida para tudo, mas que soube ensinar a não precisar usar.

Aos meus pais, novamente.

terça-feira, junho 07, 2011

"A CASA DAS MAIORES LIÇÕES'








As melhores férias da minha vida, desde sempre.
Na casa da vó tudo era sempre muito bom, limpinho, diferente. O cheiro característico que deixa muita saudade, a organização minunciosa fazia com que fosse a casa mais bonita que eu visitava. Tudo era curioso, cheio de lembranças, cheio de carinhos.
Me lembro dos pães de nó descansando sobre a mesa, do cheiro dentro do forno, do calor da cozinha. A pia de pedra cheia de farinha e a tijela com o pano abafando a massa. A manivela manual de fazer macarrão grudada no canto da mesa com a massa de espinafre toda cortadinha. Aquela comida que só a vó sabe fazer, leve e saborosa... Ha! Que saudade, que vontade!
Sempre fui fã de carteirinha dos meus avós. Por fim, tive muito contato com eles, me moldaram muito o caráter e gostos por sempre admirá-los tanto. A sabedoria do meu avô com o jeito de durão e a sabedoria e doçura da minha avó. Hahaha! Sabe que me admira muito uma controversa maneira de agir dar tão certo. Tudo o que falamos, desde palhaçadas a curiosidades é recebido pela vó com um sorriso e risada tão gostosas que tudo fica interessante de se dizer. Com o vô já tem de saber falar, porque se der certo a conversa desenrola e aí amigo, é uma lição escutá-lo. Ou se for besta o comentário ele tira sarro de você, hehehe.
Me lembro de acompanhá-los normalmente nos afazeres durante as férias ou feriados quando todos íamos para lá... Uma delicia lhes ser companhia. Com o vô, era o banco no calçadão, ás vezes revelar fotos, supermercado ou coisas mais específicas para levar para casa, algum corte de carne exótica ou vinhos. :D
Com a vó, íamos a pé na padaria e na banca, passear na praçinha em frente ao antigo apartamento, sempre levado cuidadosa e seguramente "embaixo da asa", o caminho todo... Quanto carinho!
No finzinho da tarde, ou lhs fazia companhia na sala com as meninas enquanto jogavam tranca, ou saíamos, quase sempre. Íamos ao shopping, cinema, comer a bendita esfiha do H2 (rs!), mais uma passadinha pelo mercado e por fim, voltar para casa com triunfo.
Participava de eventos, ajudava, curtia a companhia. Sempre tudo muito bom, mesmo quando merecia levar uma ferrada por um mal feito. 
Sempre foram, as melhores lições da minha vida. Para vocês, meus avós bonitos, MUITO OBRIGADO por tudo, todos os dias em todos estes anos.


E pensar que tem uma INFINIDADE de lembranças na cabeça que continuam vindo, mas que seria redundante escrevê-las aqui.



sexta-feira, fevereiro 11, 2011

"Mães morrem quando querem"


"Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula. Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer. Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.

Quando fiz 14 anos eu a matei novamente. Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis. Mas logo no primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva – foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.

Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para ressurreição. Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese. Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.

Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria lentidão… Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem. Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho “mãe” se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado “avó”. Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla…

Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela poderia protagonizar… Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer. Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.

Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre. Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade".

Em homangem á Ignês Pelegi de Abreu, de autoria de ALEXANDRE PELEGI.

Recebi novamente este texto por email, mas agora de minha mãe. Passei por algumas destas situações e fases, talvez em partes muito diferentes, mas sejam estas ou outras que me marcam, percebo que a ocasião em que crescemos não vem acompanhada pela qual nós amadurecemos.
Nos damos conta no decorrer do tempo de que somos mais parte de nossos pais do que nós mesmos esperamos e sabemos ser, e que não amá-los com plenitude hoje nos deixa feridas que arduamente irão cicatrizar. Hoje é o aniversário de minha mãe e ao mesmo tempo em que li e me emocionei pelas verdades do texto de Alexandre, fiquei realizado em ter a oportunidade de ter podido abraçá-la por mais um dia, mais uma vez.

A mulher que amo e por que sinto um orgulho incalculável... Minha mãe.

Feliz aniversário meu maior amor!




segunda-feira, outubro 11, 2010

"SERÁ QUE DÁ?"



Já há muito tempo eu venho me perguntando se é possível vencer na vida sendo um homem de completa integridade, trilhar um caminho reto com os valores que me foram ensinados sem me desviar por qualquer tentação de facilidade ou grandeza. Hoje a noite percebi nos olhos de meu pai que ele está cansado.

Ele assumiu muito cedo sem relutar a responsabilidade da família, passou por uma infinidade de problemas mesmo sendo muito novo que resultavam no mais literal "movimento ondulatório" (altos e baixos) de vida sucessivos.

Este homem, ícone de lisura e honra demonstra hoje honestamente aos 51 anos estar cansado, pela primeira vez em sua vida. Cansado de trabalhar pelas pessoas com toda a sua paixão e transparência e por sucessivas vezes, exaustivamente se decepcionar com a falta de fidelidade das pessoas e retorno por todo o seu trabalho. Jamais o vi fraquejar, ele nunca deixou transparecer todo o fardo que carregava sozinho nas costas até o dia de hoje. Ele sempre soube que existia um caminho mais fácil, mais rico do que o que sempre escolheu, mas neste caminho falta exatamente o que ele carrega com mais força dentro do coração e que com o maior orgulho (meu e dele) conseguiu me transmitir desde cedo... HONRA.

A conduta do meu pai sempre foi a de maior respeito por tudo e todos e nos foi passada (nós filhos) tão sabiamente que agora, em uma nova oportunidade, eu fui agraciado com os frutos que estes valores podem me trazer. No dia de meu aniversário recebi de um grande amigo um tremendo elogio ao ouvir que ele via em mim duas grandes qualidades "ouve muito e usa de humildade"... Qualidades que como princípios este amigo compartilha, e que teve a mesma fonte que eu: nossos pais.

As pessoas que não tiveram a mesma criação que nós, talvez nunca possam saber o quão gratificante para a mente e para a alma pode ser, quando nos é reconhecido que somos pessoas que buscam uma conduta honrosa com sabedoria, talvez, essas pessoas não entendam que mais valioso pra nós é conhecer os valores da essência e não os frutos que possamos colher com cada uma delas. Mas depois de ver as feições de meu pai hoje a noite fiquei em dúvida, comecei a me perguntar: 

- Será que dá pra viver com honra sem sofrer? 

Eu realmente terei muito a perder no futuro se não tiver esses valores em mim, mas será que não seria mais fácil financeiramente? (Digo quanto aos fardos de família e sobrevivência sucessivamente). Em contrapartida, conseguiria eu conviver com a culpa de ter sido desonesto comigo mesmo e com as pessoas para conseguir o que almejo materialmente? Eu teria comigo pessoas por amor ou por interesse? E por fim, maior que qualquer outra, conseguiria constituir uma família com estrutura emocional tão consolidada e confiante quanto a que meu pai conseguiu?
Não... Acho que não.

Foi tão meticulosamente inserida em mim esta idéia de que é necessário ser honesto, humilde e ter valores que sei de todo o meu coração que não conseguiria conviver com a culpa de não ter sido o que meu pai esperava que eu fosse e ainda pior, quem eu gostaria de ser. Posso sofrer o que quer que seja, mas jamais vou abandonar os valores que aprendi com o Poderoso Gilberto, não conseguiria viver com a culpa de ter falhado tanto.

Concluo que é mais fácil "sofrer pra sobreviver do que viver sofrendo (com culpa)".

Só gostaria, sinceramente que um dia meu pai pudesse assumir uma posição de orientação para mais cabeças pensantes, mesmo que ele não se sinta pronto porque no fim, ele conseguirá plantar uma semente extremamente poderosa em todos eles e que mesmo que demore para desabrochar, será uma lição de vida conveniente para o particular de cada homem que compartilhe dos seus valores, exatamente como foi para mim.

Uma certeza valiosa que desabrochou em uma hora conveniente, em um desfecho, para que eu pudesse perpetuar com orgulho as lições que um homem tão sábio e honesto me ensinou, cada uma delas e quem sabe, disseminar um pouco mais de ordem, valores e paixão nas pessoas e pelas pessoas.

Um homem sábio e humilde este MEU HERÓI... Merecia facilidade, retorno e descanso por tudo o que nos poupou, por tanto que carregou e que calado aguentou. Um homem sensível de coração mas forte como uma rocha, de admirável grandeza e alma nobre...

O PODEROSO GILBERTO.

sexta-feira, setembro 24, 2010

"ENRAIZADO"



Pelas minhas próprias convicções.

Sou um homem de opiniões mutantes, de fases marcantes e de fortes mudanças quanto ás ideologias e experiências que abraço e pelas quais passo.

Muitas vezes já parei para reler este meu tão particular instrumento de avaliação e auto-critica e me dou conta do quanto me modifico todos os dias. Nunca irei concluir que voltar á alguma opinião que antes havia renunciado será para mim regresso quanto á minha evolução... Não. Será uma nova visão dos meus princípios e ideologias, exatamente como as ramificações de uma raiz fortificada que nutre uma árvore em crescimento.

Talvez eu possa ser um homem feito de opiniões fortes que parecem muito maduras para os outros mas, particularmente, eu me sinto um aprendiz da vida, dos acasos e dos momentos. Eu nunca vou sentir saber tudo nem o suficiente e é exatamente baseado neste sentimento que um sábio homem me disse uma vez que "descansa aí um nobre princípio dos mais sábios homens que já viveram, a humildade".

Sabedoria é de fato reconhecer que é sempre preciso buscar uma nova e aprimorada lição sobre o que já saibamos, pode ser progressiva trazendo uma visão diferenciada ou de forma que venha a enriquecer uma visão já conhecida.

O que quer que façamos, é sempre preciso reconhecer que no fim a verdade não reside em uma existência e uma situação, mas sim nas controvérsias do tempo, na existência e individualização de cada ser dotado de razão existente no passado, no presente ou futuro. Fácil perceber que se não houvesse existido o "ontem", não existiria o hoje, nem nós, nem o blog, os textos ou a razoável paixão de exteriorizar sentimentos e filosofias deste singelo autor.

Estou enraizado nos propósitos de minhas próprias verdades, dos meus mais fortes sentimentos.

Quando me perguntam se estou me contradizendo ou se há uma congruência de idéias ou palavras, eu afirmo que sim, mas que toda nova adaptação é corrente e constante, e podem não constar nos escritos passados deste blog. Eu sou mais do que as palavras escritas aqui, uma constante mutação de formas, idéias e sentimentos que me fazem hoje dizer "sim" e amanhã talvez "não" para o que fui, pensei ou escrevi... Acho que aí está contida a verdadeira magia deste blog, o direito de mudar, debater, conhecer e me enriquecer com o que quer que possa vir a seguir, com quem quer que venha a suprir novas ou velhas palavras de amor, mas que além somente das palavras que me inspiram, alimente em grande escala a bomba de emoções que carrego continuamente e carinhosamente no peito.

Existem coisas que jamais foram exteriorizadas  em proporções tão absolutamente grandiosas que seria difícil com palavras poder exteriorizar... Existem esperanças e vontades em meu peito que jamais pude suprir por ninguém,  outras que continuamente deverás e deverão em novas situações serem cultivadas, na esperança de que com o tempo (muito tempo), outras pessoas possam vivenciar e entender tudo o que tão admiravelmente cresci assistindo, conhecendo e admirando. O amor eterno, jovial, cultivado pelos incessantes carinhos e chamegos sinceros, beijos sucessivos, olhares derretidos e sorrisos abrilhantados de casais que com muita sabedoria cultivaram dentro de si, todos os dias, independente do tempo, anos, meses, décadas ou até futuramente séculos (espero!) a paixão, aquém somente do amor.

É este casal que tão maravilhosamente belos cultivaram minha semente com maestria, que me tornam um pessoa convicta das raízes que formei e estou formando, na busca de uma fortificação maciça da FORTALEZA do meu eterno crescimento psíquico e moral.


Só o que me cabe é agradecer por aquietar a pré-ocupação de um jovem com ânsia de correr antes mesmo de aprender a andar e que com muito jeito e sabedoria me fazem aprender a não me "pré ocupar" com situações e preocupações irrelevantes para a sábia vivência de "um dia após o outro".

Amo a senhora Mãe.

segunda-feira, julho 26, 2010

"HERÓIS NATURAIS"


Penso sobre as grandes conversas de nossas vidas.
Minha mãe estava hoje em nossa Agência de viagens vendo um email com várias fotos de lugares, momentos e pessoas de forma aleatória mas belezas muito particulares na alta definção de cada foto.
Uma delas me chamou a atenção, tanto pela foto, quanto pelo gesto de minha mãe que me despertou um turbilhão de possiblidade e pensamentos na mente em poucos instantes.
Quando viu a foto acima do casal de velinhos se beijando ela se ajeitou na cadeira e estremeceu o corpo em um gesto quase que imperceptível. No mesmo instante de ter visto este fato, me surgiram vários pensamentos em sequência, começando pelo fato de saber que todo o gesto aconteceu pelo grande desejo que intimamente sei que minha mãe tem de envelhecer ao lado do meu pai, de mesmo com cabelos branquinhos ter todo este carinho e doação que ela certamente percebeu na foto.
Me passou uma infinidade de situações que cresci vendo em que minha mãe se doava inteiramente por nós e pelo meu pai, coração de mãe mesmo, desejo de família feliz e harmonia que ela certamente tem... Desejo de satisfação futura em ter criado com maestria os filhos e que mesmo passando por barras pesadas durante a vida ainda continuar a ter um relacionamento sólido e feliz.
Em seguida me passou pela cabeça uma possibilidade ínfima e negativa de "SE" um dia o casamento viesse a terminar e o carinho fosse cessado... Pensei que eu não usaria de todos os meus esforços para ser dramático, ou encontrar maneiras de os unir de novo pois eles certamente saberiam o que estavam fazendo, renunciariam para não prolongar infelicidade e manchar toda a passada felicidade. Talvez eu sentasse ao lado de cada um deles em situações diferentes, em momentos propícios apenas calado e de braços abertos para os ricos conselhos que certamente viesse a receber, lembranças de belas histórias e momentos, lições sábias de quem conhece as situações e as peças que a vida nos prega, exatamente como são as cenas de alguns filmes que nos emocionam em conversas sinceras de pais e filhos... Talvez eu falasse, mas algo sensato e razoável, não um drama de filho traído.
Mesmo que algo tão bonito assim terminar fosse um crime eu teria a humildade de avaliar que acima dos meus problemas e dilemas, existiriam a vida dos dois condutores de toda esta situação que certamente tem as suas razões que viriam a ser maiores do que eu poderia entender... Mas tudo isso hipoteticamente falando é claro... Eu nunca passei por isso, eu nunca vi isso pra ter uma idéia do que pode ser a dor de ser personagem de algo assim.
Eu imaginei uma coisa que tenho toda a minha fé de que nunca irá acontecer, não quando vejo dois jovens namorados nos olhos e carinhos dos meus velhos - de sabedoria e não de idade! - pais. Eles são o retrato mais puro do que um dia eu quero ser por alguém, do que quero construir com uma parceira... Uma eterna paixão adolescente regada de carinhos e compreensão e que espero continuar a ver até mesmo quando os cabelos estiverem branquinhos e os movimentos forem lentos.

sexta-feira, julho 16, 2010

1985 - Rua Orlândia, 875 - Ribeirão Preto

Texto escrito pela minha irmã já há alguns anos, retrata muito bem a saudável nostalgia que cultivamos entre nossa família. Infelizmente seu extinto blog, o TNKSVERYMUSHA já deixou de enriquecer a rede mundial, mas vale aqui suas lindas palavras:



postado por Musha em TKSVERYMUSHA - 2 anos atrás


Que delícia lembrar do passado.
Hoje me lembrei logo pela manhã de quando tínhamos, na casa de Ribeirão Preto, uma estante feita de tijolo (aquele alaranjado) e em cima deles, uma tábua, depois mais uns três tijolos e outra tábua... e era uma estante dinâmica! Minha mãe podia aumentar ou diminuir a altura de uma prateleira para outra com facilidade.
A verdade é que era uma casa simples, mas cheia de amor. Uma vida de luta dos meus pais para criar duas filhas de 4, 5 anos enquanto eles tinham 22. Eram jovens demais, mas se amavam muito e isso nos muito fazia feliz.
Eles não tinham defeitos. Eram perfeitos e heróis.... e eram de fato aos nossos olhos de crianças.
Nunca, em momento algum nos abandonaram para fazer um passeio. Estávamos sempre juntos... Éramos sempre nós quatro. Eles não faziam a menor questão de ficarem sozinhos, mas continuavam sendo como namorados e não escondiam os beijos apaixonados.
Colocar a TV no quintal de casa para assistir Show do Jô (na década de 80), espalhados pelos colchões no chão. Nós quatro juntos, era motivo de alegria. Não havia nada melhor do que aquilo. Não havia outro lugar que fosse melhor do que aquele.
A piscina de plástico que minha mãe montava no fundo de casa... e servia coquetel dentro do abacaxi pela janela da cozinha... néctar dos Deuses. Era uma casa de paredes descascadas, mas era melhor do que estar em um Resort na
Suíça.
As músicas da Gal, da Rosana ou da Tetê inspiravam minha mãe, enquanto fazia faxina na casa... antes de nos acordar com “Bom dia Flor do Dia!” todos os dias.
Os passeios de carro, sem parada em restaurantes (para economizar) eram momentos incríveis. Víamos casas enormes e achávamos que eram castelos. Víamos aviões pousando e nos emocionávamos... As coisas eram maiores!
O colírio que nós escondíamos na estande da sala para encenar o choro enquanto escutávamos “Meu cãozinho Xuxu”... risos... ai ai... Isso nos mantinha ocupadas.
Me lembro do biquíni amarelo e pequeno que a minha mãe, aos vinte e poucos anos, usava para tomar sol a tarde na varanda de casa.... num gramado cercado por um muro alto. Como ela podia ser tão linda!? Consigo vê-la ainda sentada lá.
O meu pai que nos levava de moto até a escolinha. Divertida escola! Cid de Oliveira Leite era o nome. Tinha uma árvore no parquinho cheia de pequenas borboletas. Uma vez tentei levar uma de presente para minha mãe... dentro da mão, mas quando cheguei em casa, ela tinha morrido. Me lembro que minha mãe colocava sempre as florzinhas que recebia em copos americanos de água.... e lá ficavam até morrer. Eram florzinhas pragas que nasciam no meio da rua, mas eles nos faziam nos sentir importantes! Aquela florzinha era cuidada com o mesmo carinho que nos davam.
A calçada de casa era de quadrados de cimento cercados de grama que aparávamos em conjunto com uma grande tesoura de jardim. Duas na verdade, uma amarela e uma de cabo vermelho.
“Diaxo!” e “Gozado” eram expressões a vó sempre usava ao telefone, quando ligava para saber se estava tudo bem.
Arroz com catchup, massa de coxinha, arroz com vinagre, mexido de sobras do almoço era o nosso banquete! Não tinha restaurante nenhum que batesse aquela comida que minha mãe fazia.
Tivemos tudo o que as crianças querem. Apesar das dificuldades, meus pais nos davam patins, barbies, bicicletas, relógios... eram sempre simples, mas para a gente, não existia marca, nem preço. Era o que era... e era o mais bonito que podia existir. Não queríamos outro e não trocaríamos por outro. Ganhar os presentes era sempre uma surpresa. Colocaram os relógios no nosso braço a noite, enquanto dormíamos... os dois juntos. Quando acordamos, lá estava a surpresa presa nos nossos bracinhos... e eles ansiosos para que acordássemos.
No dia do meu aniversário, mamãe não perdia a hora de ligar a Xuxa às 8:30 da manhã para eu ouvir: “Parabéns, hoje é o seu dia que dia mais feliz!”
Nunca deixamos de ter um bolo no aniversário. Nunca deixamos de ter um beijo de boa noite ou um “Durma com Deus”. Nunca ficaram contra nós e a favor de ninguém. Nunca deixaram de perguntar como foi o dia na escola. Nunca deixaram de ir numa reunião de pais... faziam questão!
Boas lembranças da infância que tive... éramos nós quatro. Éramos mais amigos do que pais e filhos. Nos divertíamos e conversávamos como amigos. Nunca nos trataram como se não soubéssemos das coisas por sermos crianças. Éramos um grupo. Como eu sou feliz por cada detalhe do que tivemos... por ter tido uma vida tão simples que me fazia achar que uma casa de 4 quartos era um castelo.... mas que em castelo nenhum haveria de ter dias tão divertidos como os nossos. Só faltava uma coisa... um menino. Quem diria que teríamos o melhor deles!? O Bruno chegou em 1989, quando nossa história continuou em Presidente Prudente.... aí, éramos cinco imbatíveis amigos.


sábado, julho 10, 2010

"PRINCESA"

Novos fatos ás vezes são difíceis de se lidar.



Desde pequeno eu tenho um anjo da guarda, uma diva protetora, uma segunda mãe, uma irmã espetacular, uma grande mulher que zelou por mim e que anciosamente me esperou chegar.
Desde antes mesmo de eu nascer estava fadado a ser o "melhor amigo" da minha irmã.


Com ela eu aprendi inúmeros fatos listados na postagem "AOS OLHOS DE MINHA IRMÃ"...
Com ela eu aprendi a escrever meu nome com apenas 4 anos de idade, letra por letra... Aprendi a nadar e boiar bem novinho, treinando com a proteção dela, todas as vezes. Fizemos apresentações de dança com cover de Charles Chaplin ao redor da mesa de centro da sala de casa e, além das diversões eu de quebra, ganhava proteção contra qualquer marmanjo babaca que quisesse me fazer mal quando criança (dela e da Ana Paula - Coitados dos caras).

Eu a vi fazer o primeiro piercing e tatuagem de nossa família, enfrentando as proibições feitas por nossos pais. Foi dela que conheci coragem, coração e determinação, foi dela que ganhei dois dos mais espetaculares presentes (materiais) que ganhei em minha vida e que, mesmo caros ou importantes, ela não pensou duas vezes em passá-los á mim.
Foi ela quem me acompanhou até o MC Donald's da Praça da Árvore pra comer demais, quem participou comigo do "Dia dos sem namorados", quem me levou ao cinema, para passear de bicicleta e me protegeu de cada arranhão em cada lugar do qual eu poderia ter me machucado e, se o fizesse, era ela quem corria desesperadamente para procurar amenizar ou curar... Por menores que fossem minhas feridas.

Ela quem esteve ao meu lado na experiência da viagem astral, quem me levou ao Spot, Joaquim's, Tantra, Azucar, Sky, á liberdade (Sushi Guekko) ou ao Ibirapuera, quem me confidenciou incontáveis noites de conversas, pretensões e sonho com sábios conselhos.
Me apresentou pessoas de alma grande, de coração enorme, uma grande e complicada mulher, colegas de trabalho, casais que me são hoje como irmãos, mulheres belas ou exóticas... Ela quem me fez expandir os horizontes, conhecer culturas, artes, perfumes, moda, restaurantes, gostos, lugares, atos e fatos... Quem me fez aprender muito sobre tudo.


Não importava se estávamos passando as férias na casa da vó Cida ou se ainda morássemos em Presidente Prudente, ela SEMPRE brincava comigo com o que quer que fosse, por mais amalucada que pudesse ser a brincadeira e me ouvia em qualquer situação, por mais idiota que fosse a história. Ela nunca se importou de se sacrificar por nenhum de nós, nunca pensou duas vezes para gastar qualquer quantia em dinheiro que tivesse ou que não tivesse, para nos dar o prazer de provar algo novo ou exótico, pra nos dar o privilégio da sua companhia.  Sempre me teve na mais alta estima e se lembrava de mim, não importava aonde fosse e quando precisei.

Sempre me foi conselho e conforto.

Passar os dias na sua casa quando morou sozinha eram de grande privilégio para mim pois não havia NADA mais divertido do que estar com ela, no ambiente dela, esperando por ela no fim do dia de trabalho para tramarmos nosso próximo passeio, tour gastronômico ou peripécia. Quando eu comecei a namorar tive de me divertir com seus ciumes, alfinetadas e brincadeiras com cada uma delas... Não que o fizesse por maldade, mas por amor e proteção. Não importava quem fosse a pessoa, eu sempre estaria acima dos amigos, meus ou dela, das namoradas ou de qualquer que fosse a pessoa que quisesse me fazer mal. Eu era o centro das atenções... O seu protegido.

Me lembro de ler alguns textos que seus autores diziam da tamanha importância da família.
Sempre entendi estes textos, sempre entendi os meus sentimentos descontraídos quanto aos ciúmes ou sentimentos de proteção que minhas irmãs carregam para comigo, mas hoje vejo um outro lado, hoje eu vejo o namoro de vocês com o mesmo instinto protetor que tinham.Hoje, sou eu quem sente um pouco deste ciume, nunca por outro motivo que não seja amor. Hoje, sou eu quem estou começando a aprender a lidar com esta mudança e que espero que entenda que, só o faço porque você é uma das maiores mulheres, em sabedoria e coração, que tenho o prazer de amar.

Minha irmã, minha princesa.

segunda-feira, maio 24, 2010

"CAROLE KING - BROTHER, BROTHER"



Porque é com a distância que nos damos realmente conta da tamanha estima que temos pelas pessoas, do tamanho amor que cultivamos por cada uma delas... E acima de qualquer uma, por nossos consanguíneos.

É o nosso hino minhas irmãs, meus amores.

PRINCESAS.



 

Brother Brother

Irmão, Irmão

Oh, brother, brother, brotherOh, irmão, irmão, irmão
I know you've been layin back a long time Eu sei que você está deitado para trás  á muito tempo
But I love you like no other Mas eu te amo como nenhum outro
Oh, brother of mine Oh, meu irmão
I've been watching everything you do Estou vendo tudo o que tem feito
And I've been wishing only good for you E eu estava desejando apenas o bem para você
All you've got to do is just want it to Tudo o que você tem a fazer é apenas querer
And it's gonna - it's gonna come to you E ele vai - que vai vir para você
Oh, brother, brother, brother Oh, irmão, irmão, irmão
I know you've been hangin' on a long time Eu sei que você está aguentando firme faz tempo
But I love you like no other Mas eu te amo como nenhum outro
Oh, brother of mine Oh, meu irmão
You have always been so good to me Você sempre foi tão bom para mim
And though you didn't always talk to me E mesmo que você nem sempre queira falar comigo
There wasn't much my lovin' eyes could not see Não foi além do que meus olhos de amor podem ver
and I don't believe you need all your misery e eu não acredito que você precisa de toda esta miséria
Oh, brother, brother, brother Oh, irmão, irmão, irmão
I know you've been hangin' on a long time Eu sei que você está aguentando firme faz tempo
You know I love you like no other Você sabe que eu te amo como nenhum outro
Oh, brother, brother, brother Oh, irmão, irmão, irmão
Talkin' about you, brother Falando sobre você, irmão

quinta-feira, maio 13, 2010

"O LEÃOZINHO"


"Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho

Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão raio da manhã;
Arrastando o meu olhar como um ímã...
O meu coração é o sol, pai de toda cor;
Quando ele lhe doura a pele ao léu..."

Gosto de estar perto da senhora mãe... Aninhado em tanto amor, com a tão deliciosa recepção que temos incessantemente todas as vezes que nos reencontramos, a todos nós com a senhora.
És a dona de todas as cores da minha vida, todos os bons sons, os sorrisos, a plena serenidade...
É a minha paz maior.
Com garra de leoa e a ternura de uma gata, é a mulher mais doce que eu jamais irei encontrar, quem me mostrou todos os caminhos a seguir com pleno e puro carinho, desde meus primeiros passos frágeis, foi quem me ensinou com calma cada palavra a ser recitada... Gosto muito de você leãozinho! 
E é como diz a música..."O meu coração tão só basta eu encontrar você no caminho" para ser pleno e cheio de felicidade.

Mã, minha flor meu bebê. ~ Amo de maneira "estratosférico-infinita" (?).

SEMPRE!

domingo, maio 02, 2010

"CASINHA"


 "2007 - Nosso Rattatoui"

É a primeira coisa que me vêm a mente quando vejo de longe Porto Ferreira... Penso,digo, ouço minha mãe dizendo dentro da minha cabeça: "Casiiinha!" (Como Lucinha havia feito com Cazuza... A semelhança é que minha mãe é parecidíssima inclusive no timbre de voz com a Marieta Severo) e me sinto confortável.
Chegar em casa me dá novos ares, um alívio imediato e tão gostoso que parece um constante orgasmo mental e muscular... Eu relaxo como um todo.
Porto Ferreira nunca foi minha preferência particular para cidade, mas no fim, nunca é a cidade ou a casa... São as pessoas, a minha família. Me lembro desde sempre que quando passava temporadas nas casas dos meus avós nas férias ou semanas na casa da minha irmã em São Paulo, ao chegar em casa era sempre um recepção gostosa.
A Joana vem pulando parecendo um carneirinho, chorando de carência, deitando no chão toda largada pra te coçar a barriga... Meu pai abre um sorriso rápido e fica meio desconcertado com meu abraço e meu beijo (hahaha Durão!) e minha mãe vem toda sorrisos pra dar aquele abraço... Voltar pra essa casa é sempre bom, aquela preguiça, todo aquele conforto.
Comida de casa, cama grandona, todo mundo deitado na sala pra ver tv, Delicioso!

As melhores energias, a mais pura vibe... Momentos deliciosos de amor.
"CASA DE MÃE".

domingo, março 14, 2010

"DESPEDIDA"



A hora da despedida é sempre ruim, é pesada, desagradável, por melhores que sejam as razões de uma viagem, sempre deixamos muito para trás, e isso dói.
Sempre detestei me atrasar para as coisas... Eu até mantenho todos os meus relógios cerca de 10 minutos adiantados para garantir que não me atrase.
Hoje, eu me irritei de novo, pensei estar atrasado pra pegar o primeiro ônibus dea viagem de volta prta Franca e percebi que fui rude com minha mãe e minha irmã. Claro que o meu nervoso foi passando e me senti culpado... O tempo em casa está ficando cada vez mais raro e diferente, mas não tenho motivo e nem razão nenhuma em me irritar, pois dane-se que tenha de fazer uma viagem mais demorada, esperar na rodoviária, é minha família, minha mãe, faz tudo pro meu conforto, sente saudades e se preocupa comigo e por mim, o tempo todo. Minha irmã é pentelha ás vezes, mas é tão gostoso, tão agradável estar com ela, meu pai ta cada vez mais quieto, mas é "o Poderoso Gilberto" e a Paula também, carinhosa e companheira... Tadinhos, não merecem minha grosseria.
Olhando pra minha mãe e a Carol se despedindo de mim hoje, pela janela do ônibus, conversando sob a árvore e o forte vento pré-chuva, eu me senti como a Carol descrevia se sentir quando voltava pra São Paulo.
Me senti impotente e distante como um garotinho desamparado, com saudades e de cordão cortado, asas abertas e cara pro horizonte.
Eu estou me desvinculando de casa, construindo minha vida, saindo do ninho... Não nego que no último tchau eu chorei, me senti não como parte da família, mas como alguém distante, que se vai.
Queria um útimo abraço na minha mãe e meu pai, Paula e na Carol, queria poder dar outro beijo em todos e aproveitar á fundo cada um destes momento, devia ter tido mais cuidado, mais carinho.

Longe ou perto, eu AMO a minha família, INCONDICIONALMENTE e sinto a falta de todos vocês, constantemente.

DESCULPEM-ME.

segunda-feira, março 01, 2010

"A SAGA DAS BODAS"


50 Anos de casados, não é pra qualquer um!

Admiro, muito e de verdade... Nesse último domingo, dia 28/02 foi simultâneamente o aniversário do meu avô e o aniversário de 50 anos de casamento deles, as famosas Bodas de Ouro... Fugiu aos planos que meu avô tinha da comemoração das bodas, mas de qualquer maneira, foi memorável. Vou contar:
Na terça feira passada, a tarde, recebi a ligação de um primo "brimo", dizendo que meu tio avô mais comédia queria me dar carona até Presidente Prudente para comemorar as bodas do irmão dele... Pois bem, aceitei (é aí que começou a saga!).
Na sexta feira a noite, depois das aulas da faculdade, peguei um onibus pra São Joaquim da Barra para encontrar meus tios para a viagem (claro que até esse momento eu não sabia que o fim de semana estava fadado á longas distâncias de asfalto), e cheguei com um grande atraso, porque no ônibus estava tendo um Happy Hour de ressaca pós aulas, e a compra dos comes e bebes e constantes paradas, aumentaram para uma hora o tempo de viagem.
Quando cheguei, já era praticamente a hora de ir, portanto, não dormi.
Pois bem, saímos então em direção ao Cú do mundo Presidente Prudente na mais breve de todas as viagens.
A tarde de sábado se resumiu a esperar todo mundo chegar e fazer trabalho da faculdade (Malditos tijolinhos que se acumulam!).
Então chega o Domingão... O dia dos velinhos.
Acordamos cedo, e fomos á missa na Escola Cristo Rei... Admito que realmente admiro essa situação, a união, a fidelidade. meus avós estavam EMOCIONADOS sobre o altar, e mesmo fragilizado, lá estava o Wandinho de cabeça erguida segurando o choro... Emocionante.
Claro que fecha-se com chave de ouro com uma FANTÁSTICA refeição.
Agora meus queridos... A volta da viagem, a SAGA com a tia Sandra e tio Mando.
Saímos de PP. ás 15:00 em ponto... Fizemos um longo desvio até a cidade de Marília e erramos o caminho ali... Apanhamos para chegar em São josé do rio Preto, mas percebemos o erro quando ao invés de irmos em direção á Barretos, estávamos na iminência de chegar á divisa do Estado de SP e MG... Quando acertamos o caminho, e chegamos á São Joaquim da Barra, era 21:45 (Hahaha!) Agora, imaginem passar um dia INTEIRO dentro de um carro com Tio Mando (palhaçin!) e Tia Sandroca (Hilária!)... Meu amigo, dava pra escrever um livro de tantas bobeiras, mas a tensão foi chegar em Franca á 1 da manhã na noite anterior ao meu primeiro dia de trabalho! :D
Mas para os poucos que sabem, e para resumir todos os detalhes, foi fantástico, aqém de eu NUNCA mais querer ver estrada na minha vida! Rs.


"APERTA O BOTÃOZINHO AÍ FIA DA PUTA!" 
Hahaha!